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Dentre as muitas psicopatologias graves de origem obsessiva, que afetam a
infância, a mais constrangedora apresenta-se, principalmente, quando os
desencarnados adversários acompanham a criança e, pelo sono, apresentam-se
espiritualmente, no instante do parcial desprendimento, fazendo-a recordar dos
deslizes morais de ontem, razão pela qual recua para o corpo, sob pesadelos
atrozes, aos gritos e temores, que, com as perseguições futuras, as fixações
enfermiças vão se instalando, transformando-se em lastimáveis subjugações.
A criança obsidiada apresenta comportamento diferente, incontrolável,
mostrando-se ora agressiva, ora depressiva e, muitas vezes, tentando a
autodestruição. Nesses casos, o mecanismo terapêutico é muito complexo, em face
de uma enorme ausência de cooperação consciente do enfermo infantil. O passe
magnético é recomendável, por envolver o doente em vibração de bem-estar, de
harmonia e, ainda, neutraliza as descargas magnéticas negativas capazes de
alcançá-lo.
Outras perseguições espirituais complicadas envolvem Espíritos vingadores,
conscientes da condição de desencarnados, que sabem bem o que fazem e se
comprazem nisso. O afastamento dessas criaturas não é nada fácil. Dominados pelo
ódio, mostram-se intransigentes, irredutíveis, cristalizados de sentimentos
inferiores e são refratários a todo tipo de tentativa de esclarecimento.
Muitos obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que
planejam cada passo e acompanham as "vítimas" por algum tempo, observando suas
tendências, seus relacionamentos, seus ideais. Identificam seus pontos
vulneráveis (normalmente na área ligada ao comportamento sexual) e as exploram
impiedosos.
Os problemas de saúde física também são campos férteis para semeaduras
obsessivas. Como máquina, nosso corpo se encontra sujeito a desgastes naturais,
até porque muitos obsidiados não sabem usá-lo de forma correta. Nesse sentido,
os perseguidores do Além sabem explorar, até que o enfermo chegue à patologia de
difícil diagnóstico.
O estado obsessivo procede da intimidade do homem, exteriorizando-se em forma de
tormentos físicos, mentais e emocionais. Seus ingredientes de causa remontam de
vidas passadas, de escorregões e quedas morais. Paixões, ódios, fanatismo,
avareza e muitos outros fatores são as fontes geradoras da obsessão, que
atualmente se constitui num dos mais terríveis flagelos da humanidade. Visitado
pelos obsidiados, o Cristo penetrava psiquicamente nas causas da sua inquietude,
e, usando de autoridade moral, libertava, tanto os obsessores, quanto os
obsidiados, permitindo-lhes o despertar para a Vida, animados para a recuperação
e à pacificação da própria consciência.
O Cristo não libertou os obsidiados, sem lhes impor a intransferível necessidade
de renovação íntima, nem expulsou, os perseguidores inconscientes, sem
fornecer-lhes o endereço de Deus. Em qualquer processo de ordem obsessiva, a
parte mais importante do tratamento está reservada ao paciente. Sua fixação em
permanecer no desequilíbrio constitui entraves de difícil remoção na terapia do
refazimento. A terapia espírita é a do convite ao enfermo para a
responsabilidade, convocando-o a uma auto-análise honesta, de modo a que ele
possa destroçar, em definitivo, suas prevaricações.
Diante das teias das perseguições espirituais, a proposta terapêutica do
Evangelho é a única portadora dos elementos da legítima libertação; portanto, o
Cristo é o grande libertador a Quem todos devemos recorrer, auxiliando os
doentes da alma que transitam, destrambelhados, fora da massa corporal.
Em Sua permanente energia amorosa, cônscio de Sua missão, Jesus ensinou que o
mais poderoso antídoto contra a obsessão é o amor, pela experiência da caridade,
da abnegação e do acrisolamento dos ideais.
Enquanto as luzes dos archotes culturais parecem esmaecidas pelos desvarios
sexuais; pelas substâncias psicoativas; pela sede da posse material, a Doutrina
Espírita chega ao mundo, apontando novos métodos de paz para os que sofrem os
ressaibos amargosos da obsessão.
Esforcemo-nos pela vigília constante, para que nos libertemos da vergasta das
obsessões, no firme propósito de modificação de hábitos e atitudes negativos,
ingressando no seio dos valores enobrecedores da vida pela efetiva renovação
íntima. |