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Segundo Emmanuel, “alguns anos antes de terminar o primeiro século, após o
advento do Evangelho, já as forças espirituais operam uma análise da situação
amargurosa do mundo, em face do porvir. Jesus chama aos espaços o Espírito João,
que de uma caverna da ilha grega de Patmos, o apóstolo atônito e aflito, lê a
linguagem simbólica do invisível. Recomenda-lhe Jesus que entregue os seus
conhecimentos ao planeta como advertências a todas as nações e a todos os povos
da Terra” (1), e o velho evangelista narra as suas visões repletas de alegorias
e mistérios e transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do
Apocalipse.
Todos os fatos posteriores a João estão ali (Livro Apocalipse) previstos, para a
História da humanidade. As guerras, as nações futuras, o mercantilismo e as
lutas ideológicas da civilização ocidental estão ali, pormenorizadamente,
entrevistos.
Muitos outros profetas, de relativa importância, sucederam-se a João, mas nenhum
foi, até os nossos dias, mais importante que o médico francês Michel de
Notre-Dame, internacionalmente, conhecido por Nostradamus. Este se impôs no
conceito do mundo ocidental, pelo elevado índice de acertos de suas previsões,
em 400 anos de ocorrência.
Esclarece Kardec: “a forma empregada até agora nas predições faz delas
verdadeiros enigmas, as mais das vezes indecifráveis. Hoje, as circunstâncias
são outras; as predições nada têm de místicas. São antes advertências do que
predições propriamente ditas. A humanidade contemporânea também conta seus
profetas. Mais de um escritor, poeta, literário, historiador ou filósofo hão
traçado, em seus escritos, a marcha futura de acontecimentos a cuja realização
agora assistimos.”(2)
Nesse contexto, devemos reconhecer que é preocupante o surgimento de seitas e
cultos que prenunciam catástrofes, que se multiplicam mundo afora, neurotizados
por essa expectativa frenética de uma “nova era”. Aliás, o argumento do fim dos
tempos é uma especialidade de alguns médiuns desatentos, que propagam
catástrofes naturais (terremotos, furacões, epidemias, etc.), médiuns esses que,
inclusive, têm sites na Internet e seguem alucinados aos sinais da “hora final”.
Não são raros, em várias partes do mundo, os grupos de pessoas fanáticas que
abandonaram emprego, família, à espera do “grande final” e criaram seitas
estranhíssimas. Só na França, segundo a Revista Isto É: “há cerca de 200 delas,
com 300 mil adeptos". No Japão, vários “gurus” prevêem o final do mundo (3). Nos
Estados Unidos, pasmem!, 55 milhões de americanos crêem que falta pouco para o
“mundo acabar”. Para nossos irmãos norte-americanos, os furacões, que têm
destruído a região central do país, são anjos enviados para punir os homens,
anunciando o Apocalipse. Isso, porque são países industrializados, poderosos, o
que, teoricamente, nos remete à suposição de serem povos mais adiantados
intelectualmente.
Nos dias atuais, nem precisamos ter o dom da premonição para anteciparmos a
visão do cenário terrestre para breve. Basta analisarmos o destroçamento que o
homem moderno tem operado na natureza, por desenfreada ambição. A exploração da
energia nuclear ainda não é assunto do total controle humano. O desmatamento
insano, a poluição do ar, o vigor da expansão do consumo de drogas, a
banalização do comportamento sexual, seja através de revista, jornal, televisão,
cinema, teatro, videocassete, TV a cabo, computador, etc, igualmente, escapam à
racionalidade do homem. Há, também, nesse contexto, um preocupante vaticínio
sobre a drástica redução da reserva de água potável, para daqui a quatro décadas
na Terra. Acerca disso, sabemos que algumas potências econômicas querem
internacionalizar a Amazônia, por uma simples razão: cerca de 35% de
precipitação de chuva no Planeta ocorre naquela área, levando a região a possuir
a maior reserva hídrica terrestre. A propósito, sabemos que muitos especialistas
prevêem conflitos mundiais, tendo como causa a corrida pela posse e controle do
líquido vital.
A prática dos códigos evangélicos é a condição intransferível que determinará a
grande transformação sócio, político e econômico do porvir. Nessa esteira,
haverá de ser o final do mundo velho, desse mundo regido pela desmesurada
ambição, pela corrupção, pelo aniquilamento dos preceitos éticos, pelo orgulho,
pelo egoísmo e pela incredulidade.
Cremos que a Terra não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que
destrua de súbito uma geração. A atual sociedade desaparecerá, gradualmente, e a
nova lhe sucederá sem derrogação das leis naturais, conforme preceitua o
Espiritismo.
“Tudo se processará exteriormente, como sói acontece, com a única, mas capital
diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais
tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado
e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e
propenso ao bem.” (4)
Por mais difícil que seja o processo de seleção final dos valores morais da
sociedade, não podemos olvidar que Jesus é o Senhor da Vida. Os Seus
ensinamentos não passaram e jamais passarão. Nessa perspectiva, saibamos que nas
Suas mãos repousam os destinos da Terra.
FONTES:
(1) Emmanuel, “A Caminho da Luz”, psicografia de Chico Xavier, Cap. 25, FEB/1981-RJ.
(2) Kardec, Allan “A Gênese”, Cap. XVI, item 17, 16ª ed., FEB/a973-RJ.
(3) Revista, “Isto É”, de 4 de agosto de 1999.
(4) Kardec, Allan, “A Gênese”, Cap. XVIII, item 27, 16ª ed., FEB/1973-RJ. |