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Iniciaram-se as civilizações com a imprescindível necessidade da comunicação,
recorrendo ao mecanismo da palavra falada. O grande salto da comunicação humana,
consubstanciou-se na imprensa (palavra escrita), cujo mestre foi Johannes
Gutenberg, considerado 'O Pai da arte tipográfica mecânica'. Quatro séculos após
a descoberta desse notável personagem alemão, Allan Kardec advertia contra o
proselitismo enfadonho, recomendando, porém, a divulgação dos princípios
doutrinários com base no bom senso. Destarte, a imprensa espírita atual merece o
apoio e o incentivo dos espíritas.
Não há como desconhecermos a importância da divulgação espírita para a
manutenção da chama viva da Terceira Revelação. Atualmente, tornar-se-ia
impossível enumerar e/ou nomear todos os veículos de difusão espírita existentes
no mundo. No Brasil, considerado o maior país espírita do mundo - em extensão e
abrangência, e em número de adeptos - há um sem número de publicações escritas,
bem como centenas de emissoras de rádio e televisão, veiculando informações
espíritas, além da existência de milhares de sites da Web, de teor espírita,
sendo injetados na Rede. Percebe-se que, quanto mais se expande o ciberespaço,
mais se amplia o universo espírita.
A Imprensa Espírita constitui um dos exponenciais instrumentos de disseminação
dos preceitos espíritas na Terra, encerrando todas as possibilidades e todos os
meios de comunicação atuais e os que vierem a ser criados ou aperfeiçoados.
"A imprensa espírita cristã representa um veículo de disseminação da verdade e
do bem." (1) Vivemos momentos em que a informação espírita é vital para a
sociedade. "O conhecimento espírita, na essência, é tão importante no reino da
alma, quanto a alfabetização nos domínios da vida comum". (2) O jornalismo
espírita é um notável canal de divulgação, capaz de conduzir o leitor às
informações fundamentais da nossa realidade doutrinária, balizando-o,
vigorosamente, em efetivos projetos de espiritualização. Destarte, é mister que
esse jornalismo espírita esteja compromissado com a ética, com a verdade
conceitual da nossa doutrina e com a melhor qualidade dos temas publicados.
Melhoria, essa, que não deve ser considerada apenas a "beleza externa", com
impressão gráfica policrômica, mas, sobretudo, o conteúdo (mensagens). Urge
arrostar desafios e ter capacidade de informar sobre os fatos e os preceitos
kardecianos, de forma a colaborar com o leitor em sua consciência crítica. Isto
é logrado através da melhor compreensão dos objetivos do jornal e do modo como o
jornal deve ser produzido.
Os Editores precisam "sistematicamente despersonalizar, ao máximo, os conceitos
e as colaborações, convergindo para Jesus e para o Espiritismo o interesse dos
leitores"(3) sem perder de vista a seleção dos escritos que precisam ter
"clareza, concisão e objetividade, esforçando-se pela revisão severa e
incessante, quanto ao fundo e à forma, de originais que devam ser entregues ao
público".(4) Porém, lamentavelmente, existem órgãos de imprensa espírita que
mais não fazem senão aguçar a vaidade dos dirigentes das instituições,
publicando periodicamente suas fotos e nomes, numa demonstração de total
ausência de humildade.
A propaganda doutrinária para fazer prosélitos não é a necessidade imediata da
Doutrina, até porque "a direção do Espiritismo, na sua feição de Evangelho
redivivo, pertence ao Cristo e seus prepostos, antes de qualquer esforço humano,
precário e perecível".(5) Desta forma, toda cautela ainda é pouco para que a
veiculação dos preceitos doutrinários não venha a se converter em ingente
esforço de propagação ideológica, a fim de converter a todos, sob o guante da
insensatez dos espiritismos particulares!
Quanto mais cresça em moralidade a imprensa espírita, mais distantes estarão e
menos sucesso terão os arautos das interpretações polemizantes, sem outro
propósito que não o de indispor, de desarmonizar e desunir. Eis o motivo -
segundo cremos - pelo qual, existe tanto vedetismo nessa área, tanta vaidade,
tantos interesses pessoais se sobrepondo ao coletivo. Lamentamos os periódicos
que preenchem suas páginas com mensagens repetitivas e com artigos que pouco
acrescentam. Não são muitos os órgãos difusores do Espiritismo que se propõem a
apontar problemas doutrinários e indicar soluções. A grande maioria prefere
vender a imagem de um mundo de ilusões e de maravilhas que só o Espiritismo pode
oferecer, induzindo seus leitores ao entorpecimento da razão. Poucos são os
articulistas e oradores que têm o ânimo e a coerência de se colocarem em defesa
do restabelecimento da verdade e do espírito crítico no meio espírita. Isto
salta à vista, já que quanto mais esclarecimento, menos idolatria, e como o
espírito do mundo é muito forte, é preferível "agradar" a todos, a "desagradar"
a grande platéia de espíritas idólatras, mantendo-se, apenas, na condição de
contemporizador.
A Doutrina Espírita precisa de seu jornalismo. Não foi sem lógica que, em 1858,
Allan Kardec recebeu anuência dos Benfeitores para iniciar a edição da Revista
Espírita; não é sem razão que a imprensa espírita cresce e se desenvolve, pois,
na mesma proporção em que uns periódicos se extinguem, outros surgem. Na Revista
Espírita de maio de 1863, Kardec conta que, certa vez, tinha recebido três mil
mensagens de várias partes da Europa, aguardando uma possível publicação;
selecionou cem que continham temas de moralidade inatacável. Fez nova triagem e,
das cem, chegou a trinta, realmente de ótimo valor estético e moral. Porém, das
trinta mensagens, só cinco apresentavam real valor para obterem espaço na
Revista Espírita.
É bom refletirmos sobre isso!
Consideração e homenagem à virtude, ao talento, à coragem, às boas ações dos
verdadeiros jornalistas espíritas e seus periódicos imunes ao endosso às
práticas antidoutrinárias ; que sigam avante na tarefa de amor às letras do
Consolador, que fazem vibrar corações e jubilam os espíritas que a elas se
consagram.
FONTES:
(1) Xavier, F.C. Conduta Espírita, RJ: Editora FEB, 1989 , cap. 14, ditada pelo
Espírito André Luiz
(2) Xavier .F.C.Sol Nas Almas, MG: Editora CEC, 1989
(3) Xavier, F.C. Conduta Espírita, RJ: Editora FEB 1989 , cap. 14, ditada pelo
Espírito André Luiz
(4) Idem Ibidem
(5) Xavier, F.C. Conduta Espírita, RJ: Editora FEB, 1979, cap.IV pergunta 218,
ditada pelo Espírito Emmanuel |