|
Toda casa espírita deveria consignar nos seus estatutos a IMPOSSIBILIDADE TOTAL
de receber doações de origem duvidosa, quais sejam: fruto de JOGOS DE AZAR,
sortilégios, contravenção ou congêneres subsídios de origem político-partidária,
etc.
Destacamos, por oportuno, o perigo de quaisquer jogos, pois podem se tornar um
vício, colocando sob suspeita a credibilidade da casa, e abalando a
tranqüilidade e harmonia de seus freqüentadores. Convém lembrar, igualmente, que
os Centros Espíritas, voltados a essa prática, hospedam irmãos da
espiritualidade nada convenientes aos serviços fraternos que a casa oferece.
Alguns dirigentes adoram jogar, porém, é importante lembrá-los de que, muitas
vezes, é a compulsividade pelo jogo, que a psiquiatria define como: jogadores
patológicos. Segundo pesquisas, a doença do jogo compulsivo atinge mais de 10%
da população mundial.
Todos os vícios são, invariavelmente, danosos ao crescimento espiritual da
criatura. Hoje, tornou-se "modismo" o hábito da jogatina. É loteria disso, é
loteria daquilo, e, por aí vai.
No Brasil, há 60 anos, desde o Governo Eurico Gaspar Dutra, os JOGOS DE AZAR são
proibidos. Explorá-los é contravenção penal.
O recente fechamento de todos os bingos existentes no Brasil, através de uma
Medida Provisória, não ocorreu da forma que era de se esperar, mas foi uma
medida correta. Pôs fim, por vias transversais, a uma prática, comprovadamente,
ilegal.
O universo da contravenção é, extremamente, perigoso. Tolerar sua prática, por
se tratar de um delito menor, enriquece a imoralidade. A tolerância com relação
ao jogo do bicho, por exemplo, na Cidade Maravilhosa, já incitou outras áreas à
ilegalidades mais graves. De concessão em concessão, é muito fácil chegar a um
verdadeiro caos da condição humana.
Afirma-se que o Governo estimula o jogo (legal). Cita-se a sena, a megasena, a
quina, etc. Lembremos que nem tudo que é legal é moral, muito embora essa
diversidade de jogos seja permitida. Não são poucas as imoralidades legalizadas,
como, por exemplo, as eutanásias, os abortos, a pena de morte, o que a sociedade
aprova, porque os governantes, embriagados pelo poder a qualquer custo,
engendram os dispositivos de legalidade.
Os chamados jogos de azar, nos centros espíritas, contrariam os princípios
cristãos, pelos efeitos nefastos que provocam aos seus invigilantes jogadores.
Não podemos compactuar com o desculpismo de ocasião, que estimula o ânimo dos
dirigentes das casas espíritas, promovendo rifas e jogos, numa estranhíssima
justificativa de que as finalidades são "justas". Até, mesmo, para "fins
beneficentes", não se justificam os meios comprometedores, consoante admoesta
André Luiz, em sua maravilhosa obra, "Conduta Espírita", publicada pela FEB.
É certo que a Doutrina Espírita não pactua com quaisquer proibições em suas
hostes, desde que observadas as advertências dos Benfeitores, quanto aos
malefícios que os vícios (no caso, os jogos) causam aos que a eles se afinizam e
se entregam. Devemos registrar, SIM, nos estatutos da casa espírita, o famoso
"fica vedado" tal ou qual coisa, pois, não faltará quem sugira a divisão da
doutrina em: Espiritismo Conservador e Espiritismo Liberal, tal qual vem
acontecendo - sabemos - com outras religiões, que a cada dia perdem adeptos e,
conseqüentemente, força. Não é certo que "a união faz a força?"
Para se angariar recursos, visando obras transitórias das edificações materiais,
a experiência tem mostrado que podemos pegar a charrua do esforço REDOBRADO e
promovermos os tradicionais almoços fraternos, exibições de fitas
cinematográficas, bazares, festival da torta, festival do sorvete, etc.. Se
alguém se dispuser a doar para a instituição um bem de expressivo valor
(terreno, casa, carro, jóias), a fim de ser revertido em dinheiro para obras
assistenciais, esforcemo-nos por vendê-lo a preço de mercado, lembrando sempre o
que a sabedoria popular proclama: "o 'pouco' com Deus, é 'muito'!"
Qualquer projeto para futuras obras tem que estar atrelado a um estudo prévio de
viabilidade, consoante reza o bom senso, pois só devemos tocar avante uma
empreita qualquer, depois de esgotadas todas as discussões com um profundo
rastreamento das dificuldades reais, após concluirmos ser ou não factível o
projeto.
Voltando à questão do jogo de azar, se pessoalmente alguém quiser entrar numa
casa lotérica e tentar a "sorte", o problema é particular de cada um, isso é
claro, mas se quiser levar essa mazela para a comunidade espírita, a questão
muda de figura. A partir daí, alguém precisa levantar a questão em benefício dos
postulados kardecianos. A despeito de quaisquer pretextos, uma instituição
espírita não comporta, em suas instalações, rifas e jogos de azar.
Na condição de escritor, sei, perfeitamente, que é muito fácil julgar as
consciências dos outros, identificar os erros do próximo, reprovar as
imperfeições dos confrades, corrigir os equívocos alheios, aconselhar o caminho
reto, etc., etc.. Sei, também, que não é fácil corrigir as nossas próprias
deficiências e, se nos distrairmos, em tais projetos de reforma íntima, não
passamos de aprendizes, que fugimos, incautos, à verdade e à lição. Isso não
equivale a dizer que dispensamos a ajuda mútua, de irmãos que somos, através de
críticas construtivas, para que despertemos nossas energias adormecidas, as mais
profundas, a fim de que os ensinamentos do Cristo não sejam, para nós, uma
bênção que passa célere e sem proveito pela nossa vida, por não aceitarmos as
oportunas advertências de melhoria. |