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Nestas linhas a seguir refletiremos sucintamente sobre o tema "crianças
índigos", agindo a priori com o método proposto pelo Espírito Erasto (1) ,
porque sem muito esforço de investigação identificamos no tema um certo ar
místico que tem "oxigenado" alguns defensores de conceitos bastante discutíveis
ante a prudência espírita.
Não é novidade que crianças mais inteligentes e espertinhas têm renascido
atualmente em nosso Orbe. O embaraçoso, porém, é o clima de misticismo
infiltrado nas notícias em torno do tema. Em verdade, estudos e pesquisas se
multiplicam nos domínios da psicologia quanto às complexidades do mundo da
criança. Cada uma delas é um campo de tendências inatas, com tamanha riqueza de
material para a observação e, no território de criações da mente infantil,
ser-nos-á fácil identificar a direção dos potenciais da criança, uma vez que os
pequeninos, recém-vindos da amnésia natural que a reencarnação lhes impõe não
conseguem esconder as próprias disposições no campo das tendências.
No livro Momentos de Harmonia (2), o Espírito Joanna de Angelis refere-se a
novas gerações: "(...) dá-se neste momento a renovação do planeta, graças à
qualidade dos espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de
enobrecimento e de interesse fraternal". (Não se refere aqui a crianças
"azuis").
Apesar de ouvir palestra do ínclito orador de Feira de Santana que aborda o tema
com muita coerência, cremos que muitos confrades ungidos de fantasias e ilusões
estão distorcendo as palavras do tribuno baiano . Crêem tais confrades que os
mágicos "guris azulados" irão "salvar o mundo(!?...) talvez confundindo guris
com gurus!...
Na condição de espíritas acreditamos que estejamos no limiar de uma nova era, a
qual chamamos de regeneração. Para que ocorra este processo é necessário que a
evolução dos espíritos aqui encarnados aconteça e que outros, mais preparados,
reencarnem na Terra. Nesta premissa se encaixam os espíritos que estão
reencarnando e sendo desnecessariamente identificados como índigos.
Os que escrevem sobre o tema entronizam o fato de que em Maio/99, Lee Carroll e
Jan Tober, ambos escritores norte-americanos e palestrantes sobre auto-ajuda,
publicaram o livro "The Indigo Children" (As Crianças Índigo), nele narrando
suas observações sobre as crianças que estão chegando ao mundo. Porém na década
de 80, Nancy Ann Tape, parapsicóloga, norte-americana, foi quem primeiro cunhou
a expressão "crianças índigo" (3) com base na cor por ela observada na aura de
crianças que de alguma forma se destacavam das demais.
Nancy escreveu um livro narrando suas observações: Understandig Your Life
Through Color - Entendendo sua vida através da cor. A partir daí, tais crianças
também passaram a ser denominadas de "Crianças da Luz", "Crianças do Milênio",
"Crianças Estrela". Tudo isso soa estranhíssimo como estudante de Kardec. Embora
considerando instigante o tema "crianças índigo", não o concebemos nem como
comprovado ou comprovável, nem como reprovado ou reprovável muito embora o
método adotado para tais afirmações ser bastante heterodoxo. Visualização de
auras nos trabalhos acadêmicos atuais é problemático.
Nancy seria uma espécie de câmera de Kirlian, ou seja, ela "veria" campos
eletromagnéticos, as cores e as freqüências. Destarte percebeu que existia uma
cor da aura associada com alguns recém-nascidos. À época ela estava trabalhando
no seu doutorado. Para ela cerca de 80% das crianças nascidas após a década de
80 são índigos.(!)
Crêem alguns que uma criança de "aura azulada" é aquela que apresenta um novo e
incomum conjunto de atributos psicológicos e mostra um padrão de comportamento
geralmente não documentado ainda, pois não existe no Brasil relatório conclusivo
sobre o assunto e há pouco estudo sobre tais crianças por aqui , não conhecemos
nenhuma pesquisa que constate essa incidência no País.
Afirma-se que tais crianças têm um sentimento de "desejar estar aqui", porém não
se auto-valorizam(?)parecem anti-sociais ,sentindo-se bem com outras do mesmo
tipo. Por esta razão a escola é freqüentemente difícil para elas do ponto de
vista social. Porque segundo sustentam os "indigólogos", o modelo de ensino é
sempre imposto sem muita interação, um modelo feito para o hemisfério esquerdo
do cérebro, o racional, o lógico, incompatível com os azulíneos que naturalmente
têm o hemisfério direito mais desenvolvido o que lhes dá o grande poder
intuitivo, a grande capacidade de percepção extra-sensorial.
Crê-se que existem quatro tipos diferentes de "guris azulados" e cada um tem uma
proposta: Os prováveis humanista que poderão trabalhar junto às massas humanas,
os conceituais que detêm um perfil mais técnico, os artistas que serão dotados
de criatividade e os chamados interdimensionais que supostamente trarão novas
filosofias e espiritualidade para o mundo.
A identificação das crianças cor de anil assinala seres dotados de bom potencial
intelectual, porém destituídos de maior maturidade emotiva , visto que preferem
a solidão , traumatizam-se quando erram ou se frustram quando suas idéias não
são aceitas. Guris com auras da cor do céu podem ser criação do mercado de
auto-ajuda norte-americano que confunde espíritas e professores mesclando
sobrenatural e educação! Em verdade, tais crianças pós-80 não passam de
espíritos endividados com a missão de superar seu exaltado orgulho, aproveitando
as últimas chances nesse planeta para mudar de rumo.
Conforme consigna Rita Foelker "Não sabemos se ou até que ponto as chamadas
Crianças índigo participam deste despertar para valores mais elevados de vida.
Agora, se essas Crianças podem contribuir conosco? Claro. Se elas têm algo a nos
ensinar? Muito provavelmente. Mas daí a dizer que são "filhos da luz" e
"crianças da Nova Era" vai uma boa distância, criando expectativas que muito
possivelmente recairão sobre elas mesmas, no presente ou no futuro." (4)
Cremos ser fundamental as áreas do saber permutem informações que se completem
para uma melhor compreensão do espírito encarnado e possam cooperar, em
conjunto, na sua evolução, mas afastado do incontrolável pendor místico que
paira na Pátria do Evangelho.
A Terceira Revelação não inventa a renovação social; "a madureza da Humanidade é
que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas
tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das
questões que abrange o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina, a
secundar o movimento e regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse
movimento". (5)
Em face disso, os centros espíritas precisam proporcionar, prioritariamente,
esclarecimento. O Espiritismo por seu aspecto religioso, filosófico e
científico, tem por premissa esclarecer através da fé raciocinada., ou seja,
através do bom-senso kardeciano. Desta forma, consideramos de subida relevância
que os dirigentes e colaboradores dos centros espíritas estejam mais bem
informados sobre o tema índigos, a fim de que possam orientar os freqüentadores
e assistidos de forma coerente e objetiva, cumprindo a inexpugnável integração
proposta pela Doutrina Espírita na sua base lógica.
Finalizamos por aqui nossas brevíssimas argumentações com a singeleza das letras
da articulista Foelker: "Dizem, os que apóiam a tese dos índigos, que eles
vieram para nos ajudar a evoluir. Então, eu encerro perguntando: qual é a
criança que NÃO nos ajuda a evoluir?" (6) Eu também indago - qual?
FONTES:
1- Do Espírito Erasto encontramos em O livro dos médiuns, item 230 do cap. XX, a
célebre frase: "Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única
falsidade, uma só teoria errônea"
2- Franco, Divaldo Pereira. Momentos de Harmonia, Ditado pelo Espírito Joanna de
Angelis, Salvador: Editora Leal, 1991.
3- "Crianças índigos" é teoria que surgiu da observação de auras azul brilhante,
isso significando diferença (para "melhor") entre os que a possuem e os que a
têm de outra cor.
4- Rita Foelker in Crianças índigo: uma simples opinião 13/02/2006 Artigo
publicado no site da Fundação Espírita André Luiz (www.feal.com.br) http://www.feal.com.br/colunistas
5- Kardec Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2004, Sinais dos Tempos - 4ª pte.(itens
21 a 26) (Estudo 131 e 132)
6- Foelker in Crianças índigo: uma simples opinião 13/02/2006 Artigo publicado
no site da Fundação Espírita André Luiz |