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A Revolução Francesa foi o conjunto de acontecimentos que, entre maio e dezembro
de 1789, baniu a base do Antigo Regime (Ancien Régime) e o autoritarismo do
clero e da nobreza, modificando a estrutura sócio-político e religiosa francesa.
Cinqüenta anos após, também no palco do grande e importante evento, o mestre
lionês, H.L.D Rivail, com a contribuição dos Espíritos, editava o livro que
assinalaria a alvorada de outra grande revolução aos franceses e ao mundo. Desta
vez uma revolução intrínseca, contínua e silenciosa, por consubstanciar na
intimidade de cada ser humano.
Estava sendo apresentada à Humanidade, numa iluminada manhã de primavera sob o
pulsar do astro-rei, a 18 de abril de 1857, no imponente Palais Royal, Rua de
Rivoli, Galeria d' Orleans, 13, na Livraria E. Dentu a revolucionária publicação
de O Livro dos Espíritos, contendo os excelsos postulados da Terceira Revelação.
Ante este proscêncio surgia o Espiritismo. Nascia, juntamente com O Livro dos
Espíritos, o ínclito mestre Allan Kardec.
O Livro dos Espíritos é considerado por muitos estudiosos como a incomparável
obra da mais avançada de Filosofia que se tem notícia na História terrestre,
pois que trata de assuntos que tocam todos os ramos do conhecimento. Com o
famoso livro inaugura-se a "Era do Espírito e da Fé raciocinada". Um dos pontos
culminantes da monumental obra é o ensinamento da lei das vidas sucessivas,
propondo demonstrar que o Espírito não encarna uma só vez, mas, tantas e quantas
forem necessárias a fim de se tornar um Espírito perfeito e portador das mais
nobres qualidades intelectuais, morais e espirituais.
Cento e cinqüenta anos se foram e neste momento em que a divulgação na mídia, em
especial no cinema e na televisão, se destaca como fator de propaganda
doutrinária, constituindo em novo campo de disputa no espaço público, o
Espiritismo vem alargando sua inserção social entre as camadas de classe sociais
de todas os matizes. Os resultados dessa difusão identificamos nas pesquisas
realizadas em 1998 pelo Instituto Gallup, onde constatou-se que 45,9%, ou seja,
quase metade dos católicos que dizem freqüentar semanalmente serviços religiosos
afirmam "acreditar na reencarnação". Noutra pesquisa realizada em 2000 em cinco
metrópoles brasileiras: 55,7% dos entrevistados disseram "acreditar em vida após
a morte", sendo que 35,8% destes afirmaram crer na reencarnação. Isso é reflexo
inequívoco da silenciosa revolução espírita no tecido social brasileiro.
Doutrina de educação moral e de liberdade, propõe a revisão de modelos
comportamentais, assumindo-se valores verdadeiros e imorredouros como a
humildade, honestidade, dignidade, amor ao próximo e outras virtudes, como sendo
a fórmula revolucionária de melhoria progressiva da Humanidade.
Nestes 150 anos, quando muitos confrades e instituições se movimentam para
comemorações ao longo de 2007 , oportuno advertir que não bastam as
manifestações exteriores alusivas ao sesquicentenário do Espiritismo e as
reuniões de congraçamento de grande número de pessoas. Mais importante de tudo
será o alcance em profundidade que essa mensagem de renovação e de esperança se
dê em nós, para que movimente-nos a intimidade, impulsionando-nos no dia-a-dia,
para uma vivência em plena consonância com as proposições de Jesus.
Para esse mister torna imperioso mantenhamos o Espiritismo com a pureza
essencial, aos moldes do Cristianismo nascente, sem permitir seja incorporadas
práticas estranhas ao projeto dos Espíritos Superiores.
A unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a
fortaleza intransponível do Espiritismo. Para tornarmos o Espiritismo
inexpugnável urge munir-nos contra a infiltração nas fileiras espíritas de
ideologias discutíveis, ligadas a movimentos incompatíveis com os sãos
princípios e com as finalidades essenciais da Doutrina. Por essa razão, e por
não ser tarefa das mais fáceis, as federativas estaduais ainda encontram
extremas dificuldades de realizarem o ideal da Unificação sonhada por Kardec e
Bezerra de Menezes na Pátria do Evangelho. Isto porque as trevas são poderosas e
organizadas e assestam suas armas para destruir o projeto doutrinário, ora
incrementando publicações livros que jamais deveriam existir nas nossas hostes,
ora sugerindo a expulsão de Jesus nos nossos estudos, ora menoscabando o valor
do Pentateuco kardeciano.
Porém, tão firmes são os fundamentos espíritas que, apesar do enorme avanço dos
conhecimentos científicos na segunda metade do século XIX e no século XX, não
houve necessidade de ajustar a Doutrina Espírita a quaisquer verdades ou
descobertas novas.Os espíritas estudiosos sabem que muitos dos ensinos
doutrinários constituem-se em antevisões de realidades que só futuramente serão
reconhecidas pelos diversos departamentos científicos a que se dedica o homem.
Isto não significa que o Espiritismo seja obra pronta e acabada, porém que não
pode e não deve ser mutilada em seus princípios.
Um pouco mais de 54.000 dias se passaram de convite ao amor e à instrução à luz
da Terceira Revelação. Atualmente são milhões, em todos os quadrantes do Globo,
aqueles que aceitam a convocação, penetram o conhecimento da vida em sua máxima
amplitude e grandeza, e estão trabalhando proficuamente para a grande reforma
moral, numa revolução silenciosa, porém constante, rendendo preito de gratidão
ao Espiritismo, por tudo o que ele já fez e continua fazendo a cada dia pela
humanidade.
Roguemos a Deus cubra de bênçãos o Movimento Espírita Mundial, a fim de que cada
Centro Espírita, cada organização espírita, através dos espíritas, continuem a
brilhar suas luzes, indicando roteiro seguro para a caminhada do homem não
somente para os próximos centenários, mas para os próximos milênios. |