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Quando o assunto é "drogas", percebemos que há um número bastante significativo
de pessoas que, instantaneamente, associam essa palavra aos produtos cujo
consumo não nos é lícito, quais sejam: a maconha, a cocaína, o crack, etc.. No
entanto, esquecem-se de que, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual,
outros produtos tóxicos, e de livre comércio, são tão prejudiciais ou mais
perniciosos, até, do que aqueles, como, por exemplo: a bebida alcoólica, o
cigarro, as drágeas confeccionadas em laboratórios, etc.. Quantos lares são
desfeitos e quantos crimes são cometidos, cuja causa provém de estados de
embriaguez? Quantas doenças incuráveis são diagnosticadas em pessoas que se
lançaram à autocrueldade, pela dependência da nicotina? Portanto, o fato de a
substância ser legal ou ilegal não tem uma relação direta com o perigo que
oferece.
Quantas famílias desejariam que reinasse, nas pessoas a quem muito amam, a
serenidade frente às crises que enfrentam na vida, e quantas gostariam que
inexistissem hábitos autodestrutivos que, equivocadamente, adotam como suposta
solução de seus problemas, causando dor e sofrimento a si mesmas e ao grupo
familiar a que pertencem?
Aqueles que já se iniciaram nos maus vícios, mas ainda não estabeleceram um
nível de intimidade maior com as drogas, os pais podem e devem ampará-los com
serenidade, ajudando-os, fundamentalmente, a não se tornarem dependentes dessas
substâncias tóxicas, além de lhes ensinar a manterem acesa a chama da esperança,
incutindo neles a idéia de que estão, apenas, vivendo momentos difíceis de
ajuste da alma em desalinho. Em razão disso, não devemos abandoná-los à própria
sorte, pois ninguém se lança ao vício para ser infeliz, uma vez que todos
almejam a felicidade.
Para todo dependente químico existe um tratamento específico. Quando a
dependência é única e exclusivamente física, esta é anunciada nas crises de
abstinência com reações de menor expressão, e a cura é relativamente fácil.
Porém, quando a dependência é psicológica, as reações são bem mais agressivas, e
a cura requer muito mais tempo. Daí a necessidade da compaixão, da renúncia e do
irrestrito afeto familiar.
Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos
pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Crescem,
observando os adultos utilizando tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou
nervosismo e, quase que imediatamente, presenciam os primeiros sinais de
serenidade e equilíbrio exercidos pela ação do medicamento. Quando ouvem os pais
se referirem a uma xícara de café para se sentirem estimulados ou a um cigarro
para se sentirem mais calmos, essas cenas passam a existir, por muito tempo, em
seus escaninhos mentais e, quando se defrontam com as primeiras dificuldades,
inerentes a todo ser em evolução, buscam nas drogas a pretensa harmonia
existencial.
São atentos, igualmente, às atitudes dos pais dos amigos com os quais se
relacionam e a contradição, então, transparece, posto que muitos deles têm
maneiras diversas de lidar com um filho. Alguns são totalmente contra o uso de
quaisquer drogas, legalizadas ou não, mas a maioria considera socialmente
aceitável o consumo de bebidas alcoólicas, o vício do cigarro, o uso de
"energéticos", etc.. Isso tudo, sem falar no grave problema dos
benzodiazepínicos, barbitúricos e metadona, cuja ingestão permanente pode causar
dependência como qualquer outra droga alucinógena ou não. Na verdade, as drogas
não deveriam ser avaliadas, tendo por base a ilegalidade ou legalidade, mas
pelos malefícios que elas acarretam à saúde. Os adultos têm sempre "desculpas de
ocasião" e formas de justificar esses comportamentos paradoxais. Contudo,
trata-se de um modelo de comportamento que não serve de referencial a alguém,
muito menos àqueles que são adeptos aos moldes que Jesus nos veio ensinar.
Foi na década de 60 que surgiram os tranqüilizantes chamados, cientificamente,
de "ansiolíticos", destinados a combater estados de ansiedade, ou melhor,
combater estados de desordens psíquicas e questões emocionais da vida cotidiana.
O problema ganha proporções imensuráveis, quando pesquisas atuais apontam que
uma das tais drogas, o diazepan, tornou-se um dos "remedinhos" mais vendidos da
atualidade. A propósito, cabe aqui ressaltar que profissionais competentes e
respeitados, ligados à saúde mental, que diariamente lidam com as emoções
humanas, já consideram que prescrevê-los equivale à clara admissão de um
fracasso terapêutico da psiquiatria.
Há aqueles que, ao menor sinal de angústia, de desconforto, lançam mão de um
"remedinho", de uma "cervejinha", de um "cafezinho", de um "cigarrinho", para
aplacar a ansiedade de forma quase que instantânea. Esse é o princípio básico de
paradigma de comportamento dependente, que observamos em um imenso número de
adultos e pais, no qual, sem "desconfiômetros", estão mergulhados. Destarte,
introjetam no inconsciente dos filhos, alunos, e jovens em geral, a idéia de que
os problemas podem ser resolvidos, como que por um passe de mágica, com a
"ajudazinha" de uma "substanciazinha", originária da cana-de-açúcar, denominada
álcool; de uma "plantinha" inocente, do gênero nicotiana (solanaceae), conhecida
por tabaco, de um "alcaloidezinho",também inofensivo, conhecido por cafeína, e
assim por diante. Porém, todos atuam sobre o sistema nervoso central e alteram
todo o metabolismo do indivíduo, igualmente.
Para muitos psicólogos, se a questão "drogas" fosse abordada de forma adequada
ao nível de compreensão da criança ou do adolescente, deixando de ser algo
secreto e misterioso, perderia muito de seus atrativos. Para outros
especialistas, o fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um
dependente. Sim, porém, como ninguém tem como monitorar o que se passa nas
idéias das pessoas, e muito menos pela cabecinha de um adolescente, mesmo
porque, em se tratando de "drogas", a atitude dos jovens é extremamente
silenciosa, principalmente porque todos eles sabem o quanto a sociedade
discrimina quem com elas se afiniza, experimentar não constitui problema algum
àqueles que têm suas emoções bem ajustadas no momento da curiosidade, mas, para
outros, não tão bem estruturados psicologicamente, experimentar é sinônimo de
"continuar experimentando" sempre e a qualquer hora.
Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando
um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amando-os, independentemente, de
como se situam na escala evolutiva. Os pais não se devem desesperar, mormente no
mundo de hoje. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas
exercem será estimular os jovens a experimentar formas não-químicas de obtenção
de prazer. Os "baratos" podem ser obtidos através de atividades intelectuais,
artísticas, esportivas, etc.. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens
para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e
sensações intensas, mas dando-lhes exemplos de sobriedade. (1)
Coincidentemente, ou não, os jovens que dependem exageradamente dos tóxicos, são
pouco amados pelos pais, sentem-se deslocados no grupo familiar ou se consideram
pouco atraentes, etc.. Por estas e muitas outras razões, os pais devem
transmitir segurança aos filhos através do afeto e do carinho constantes.
Afinal, todo ser humano necessita ser amado, gostado, mesmo tendo consciência de
seus defeitos, dificuldades e de suas reais diferenças.
A crença de que a felicidade pode ser comprada num "Shopping Center" e que
decepções, angústias, tristezas e solidão têm que ser evitadas a qualquer custo,
consubstanciam o modelito de relação que os dependentes químicos (consumidores)
estabelecem com as drogas (produtos). Urge que lhes desmistifiquemos a fórmula
imposta pela sociedade aos indivíduos, de que a melhor maneira de se viver se
constitui na síndrome do consumismo extravagante e exagerado.
Importa que os pais se lembrem de que conflitos e atos de rebeldia fazem parte
da instabilidade emocional, natural na adolescência e estes não são indicadores
precisos de que os filhos estejam envolvidos com as drogas. Desse modo, convém
que dêem um voto de confiança aos filhos e constituam com eles uma inexpugnável
parceria, alicerçada na credibilidade mútua e no respeito à vida. A autoridade
dos pais (2) não somente é aceita pela maioria das crianças e adolescentes,
sobretudo quando presenciam, no ambiente familiar, a confiança e o afeto, mas,
também, é extremamente necessária, para que não se sintam inseguros na vida ou
que os papéis que competem a cada um, não se invertam.
Outro posicionamento a ser observado é nunca partir para atitudes extremas,
como, por exemplo: violência verbal, violência física ou, ainda, movidos por
extrema impaciência, expulsar um filho de casa. Qualquer ato precipitado dos
pais poderá reverter contra eles mesmos, futuramente, e lançá-los à dor do
arrependimento tardio. É óbvio que cada caso é um caso, mas jamais partir para
qualquer solução mais severa, sem antes esgotar todas as possibilidades
fraternas de ajuste, de bondade, de solidariedade humana, de renúncia,
disponíveis no âmago dos corações dos que se dizem fiéis aos ensinamentos do
Cristo Jesus. Convém que não se esqueçam, principalmente, de que a oração
fervorosa é a mais poderosa ferramenta de que o homem dispõe como solução contra
quaisquer sugestões do mal.
Por falar em solução, existem várias maneiras paralelas de ajuda aos que
dependem da droga: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais;
psicoterapias; grupos de auto-ajuda, a considerar: Alcoólicos Anônimos,
Narcóticos Anônimos, etc.. Na opinião dos experts, especialistas da área,
o tratamento do dependente de drogas não requer internação, na grande maioria
dos casos, pois as respostas não têm sido favoráveis a que eles apresentem
melhora nessas condições de isolamento, distantes do convívio familiar. Muito
pelo contrário, constatam a ineficiência do tratamento nessas condições, com um
significativo aumento do consumo, a que os dependentes se lançam, após saírem da
clínica.
A questão é de educação na família cristalizada, na escola enobrecida, na
comunidade honrada, e não nas políticas de repressão policial, estabelecendo
mais violência do que solução. Todos nós sabemos que violência gera violência.
As famílias que se deparam com um drama desses no lar, em primeiro lugar devem
procurar forças em Deus, Pai misericordioso e justo, e em Jesus, porque Ele não
veio somente para os sãos, mas, fundamentalmente, para os enfermos; em segundo
lugar, não devem se acovardar diante do fato em si, pois, por trás de toda queda
moral existe um grito recôndito de "socorro!". Conversemos, esclareçamos,
orientemos e assistamos os que se hajam tornado vítimas das drogas, procurando
os recursos competentes da Medicina como da Doutrina Espírita, a fim de
conseguirmos a reeducação e a felicidade daqueles que a Lei Divina nos confiou
para a nossa e a ventura deles. (3)
É importante que os pais ensinem seus filhinhos queridos a manterem permanente
vigilância pela oração embasada numa fé raciocinada e o Espiritismo propõe,
dentre outras bênçãos, o fortalecimento e o equilíbrio mental. Uma coisa é
certa: o Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou
regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos
jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina,
que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a
responsabilidade conseqüente de seus atos.
Sob o enfoque espírita, sabemos que irmãozinhos nossos do mundo espiritual que
usaram drogas enquanto encarnados, muitos ainda continuam escravos do vício.
Unem-se aos seus afins, os viciados encarnados, imantando-se nos seus
perispíritos, para sorverem as emanações perniciosas provenientes do uso das
drogas.
As energias deletérias dos viciados do além podem, a longo prazo, causar, nos
viciados de "cá", distúrbios orgânicos graves, como: câncer de pulmão, problemas
no fígado, no aparelho circulatório, no sangue, no sistema respiratório, no
cérebro e nas células, principalmente as neuroniais (4), devido ao
enfraquecimento dos centros vitais do viciado, ainda encarnado. Os efeitos
destruidores da obsessão e das drogas são tão intensos que extrapolam os limites
do organismo físico do viciado, alcançando e comprometendo, substancialmente, o
equilíbrio e a própria funcionalidade do seu perispírito. Se a morte os
surpreender, antes mesmo de se regenerarem, conservam, na espiritualidade, os
estigmas da prática nociva que os levou à degeneração dos seus respectivos
centros vitais, visíveis no perispírito.
Por todas essas razões, precisamos aprender a servir e perdoar; socorrer e
ajudar os jovens entre as paredes do lar, sustentando o equilíbrio dos corações
que se nos associam à existência e, se nos entregarmos realmente no combate à
deserção do bem, reconheceremos os prodígios que se obtêm dos pequenos
sacrifícios em casa por bases da terapêutica do amor. (5)
Confiemos em Deus, primeiramente, e optemos, pois, pela drágea do afeto, o
comprimido do carinho, a gota de renúncia, o chá do amor em família, por serem
os mais eficazes remédios na cura das patologias de quaisquer procedências.
Esses medicamentos consubstanciam-se pela maior atenção dos pais para com os
filhos, demonstrados pela sadia preocupação que têm com a formação moral deles e
o suprimento de suas necessidades afetivas.
Fiquemos alerta! Nossos filhos são a jóia mais rara e preciosa que possuímos,
não os abandonemos!
FONTES:
(1) Disponível no site www.senado.gov.br/publicações acessado em 08/09/2007
(2) Autoridade não deve ser confundida com autoritarismo, arbitrariedade ou
rigidez
(3) Franco, Divaldo Pereira. "Após a Tempestade", ditado pelo espírito Joanna de
Angelis. Bahia: Editora LEAL, 2ª Edição
(4) Os neurônios guardam relação íntima com o perispírito, segundo André Luiz em
"Mecanismos da Mediunidade"
(5) Xavier, Francisco Cândido. "Caminhos de Volta" - Espíritos Diversos |