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JÁ É TEMPO DE "FELIZ NATAL
E PRÓSPERO ANO NOVO"

As saudações multiplicam-se nas ruas, nos lares e, principalmente, nas casas comerciais a cada fim de ano. Vivenciar esse clima fraterno e solidário, mesmo que com data marcada para se extinguir, é bom. Atesta-nos que somos humanos, que nascemos para conviver com a fraternidade e a solidariedade. Talvez por isso, surpreendemo-nos mais sorridentes e felizes nesta época.

Entretanto, entre nossos sonhos de fraternidade e nossas ações realmente fraternas, interpõe-se o velho egoísmo que alimentamos, constituindo-se em barreira frustrante entre nós e a felicidade com que sonhamos.

É fim de ano e início de outro. O comércio se enfeita, os lares se decoram e os sons das harpas natalinas retêm os nossos passos apressados. O ano já se foi. O tempo passou sem que nos déssemos conta disso. Paramos então para refletir. O ano se foi. O que levou com ele? O que nos deixou?

Como crianças a fitar bolhas de sabão que o vento da manhã carrega em seu colo, sem que possam retê-las entre as mãozinhas frágeis, ficamos nós. Impotentes. Perplexos, ante tal constatação. É assim que nos sentimos a cada fim de ano e início de outro, quando verificamos que as metas sonhadas não foram atingidas, por acomodação, distração, incompetência ou por falta de metas dignas de uma boa luta. O que nos faltou? Vontade, coragem ou persistência? E os mil votos de felicidade e prosperidade que recebemos? Onde a real felicidade? Que prosperidade buscamos?

Analisando-nos a cada fim de ano poderemos, entre tantas outras perguntas, questionar:

1- Mantivemos, por mais tempo que no ano anterior, a nossa sintonia com o Alto através da oração e da ação?

2- De que vícios conseguimos nos libertar?

3- Que virtudes acrescentamos em nossa alma?

4- Adquirimos, ou lutamos por adquirir, hábitos mais saudáveis?

5- Ampliamos a simpatia e a cordialidade a nossa volta?

6- Adquirimos novos amigos? Perdemos alguns? Como?

7- Valorizamos as dificuldades que nos visitaram nelas exercitando a paciência?

8- Que proveito tiramos das dores que nos surpreenderam? Tornaram-nos vinhos saborosos ou vinagres ardidos?

9- Promovemos, com nosso verbo vigilante e nossos atos coerentes, as pessoas que conosco conviveram?

10- Que contribuição demos à vida? Aproveitamos o tempo do auxílio aos semelhantes ou em favor de nosso crescimento?

Estas, algumas questões que me ocorrem quando inicio a minha auto-avaliação a cada fim de ano. O leitor, por certo, terá outras a acrescentar.

Recordemos hoje a sugestão do Cristo; "Andai enquanto tendes luz" (Jo, 12:35). Hoje temos a nosso favor as dádivas do tempo, da vida, da lucidez, do conhecimento evangélico, dos amigos. E amanhã? Hoje é a nossa hora, o momento de movimentarmos as energias para buscas mais concretas, reais, atemporais, eternas. O maior recurso de que dispomos a nosso favor é o tempo. O tempo na vida física.

Mobilizemos então as forças de nossa alma simbolizadas por Léon Denis no querer, conhecer e amar e, iluminados pelo Evangelho de Jesus e pela Doutrina Espírita, cuidemos de nós como seres integrais. Avancemos confiantes sem nos deter no passado e sem angústias acerca do futuro. Este está sendo construído e/ou reconstruído agora.

Trabalhemo-nos com determinação e coragem para no próximo Natal presentear o Cristo com um homem mais feliz, mais equilibrado e mais digno da seara que ele plantou. Caminhemos para a felicidade e prosperidade...


Artigo de autoria de ALCIONE PEIXOTO
Publicado na Revista Espírita de Campos - REC -  Nº 36


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