Senhor...
Diariamente estou em contato com vários irmãos
meus, de todos os lugares e procedências,
buscando-me o gesto e o olhar para uma comunhão
mais demorada, ou apenas roçando-me o passo,
apressados, a caminho de destino diverso, numa
fração de tempo que embora mínimo pode dizer
muito de minha conduta fraterna.
Chegam com
dificuldades de toda sorte, não apenas no corpo,
mas também na alma... Trazem fome, frio,
desamparo, vazio, tédio, angústia e desalento,
sem que me verbalizem tal estado de ânimo,
muitas vezes, cabendo a mim entender sua
silenciosa aflição. Para algumas dessas pessoas,
posso ser a solução, para muitas outras, posso
tornar-me o agravamento do problema...
Sendo assim,
Pai, peço-lhe abençoe minha consciência para que
ela reflita, a cada momento, a luz da caridade
maior, aquela que não apenas mitiga a fome do
pobre ou que alivia a chaga do enfermo, mas que
também, da mesma forma atende o irmão que nos
busca a presença trazendo fome, sede e doenças
na alma, e solicitando, por isso mesmo, maior
atenção, amizade, respeito e compreensão de
nossa parte.
Que eu saiba
anotar a penúria de um eventual irmão e estender
a moeda que não me fará falta no bolso, que eu
saiba servir o prato de sobras na porta, o pão,
a água, o remédio, a informação correta... Mas
que eu saiba, igualmente, estender a moeda da
tolerância com o cumprimento gentil, o prato da
consolação com o pão do bom ânimo e a água da
paciência com o remédio da compreensão e do
carinho.
Assim
saberei, Senhor, que terei feito o melhor, e
nada precisarei recriminar em mim, quando à
noite, no instante de dormir, dirigir-me a Ti,
mais uma vez, agradecendo o dia que me
destes!...
Assim seja!
André Luiz,
IDEAL André, 2002*