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A bebida alcoólica carrega um
detalhe interessante, qual seja, o de ser uma das mais poderosas e
destruidoras drogas a infelicitar o ser humano, mas que, no entanto,
tem livre curso o seu uso no seio da sociedade terrena. Ela é uma
droga que ataca o sistema nervoso, desequilibrando-o, tal como o
fazem o crack, a maconha, o LSD, a cocaína e todas as demais drogas
psicoativas.
Ela está ao alcance do bolso de
qualquer pessoa, pois que se apresenta muito cara ou bem barata. E
tudo de forma LEGAL! É incrível, mas é a verdade, e as nossas
autoridades ainda não acordaram para tal fato, ou estão aguardando
que medidas proibitivas sérias sejam tomadas, inicialmente pelos
chamados países do primeiro mundo, para que só assim se disponham,
também, por um rígido controle ou pela proibição em nosso país, já
tão cumulado de miséria de todos os tipos.
Ora, é do conhecimento público
que o governo arrecada milhões de reais com os impostos taxados
sobre as bebidas alcoólicas, esquecidos dos outros milhões gastos
com a manutenção dos hospitais públicos que atendem, por
determinação governamental, milhões de pessoas com enfermidades que
têm as suas origens no uso do álcool. São empresas multinacionais e
nacionais que se enriquecem em cima da desgraça do semelhante,
provocando, queiram ou não, a lei de ação e reação, ou o carma, como
quiserem.
A desculpa esfarrapada, infantil
de que "bebe quem quer" não atenua o erro de quem é responsável pela
fabricação da bebida alcoólica. Têm culpa, sim, o fabricante e os
distribuidores. Eles haverão de responder perante a lei de causa e
efeito, proporcionalmente ao grau de participação no ato faltoso,
logicamente contrário à lei de Deus.
O álcool, como todos devem saber,
é conseguido graças à fermentação de sumos de origem vegetal, tais
como da uva e da cana-de-açúcar, ambas possuidoras de glicose. Esta
fermentação é conseguida pela interferência de fungos ou bactérias
chamadas saprófitas. aquelas que se alimentam de substância em
decomposição oriunda de outro ser vivo. (1)
Um dos mais tristes aspectos
nisso tudo é que terras férteis, que poderiam estar sendo utilizadas
para a produção de alimentos saudáveis, estejam prestando-se à
produção de bebidas destruidoras da saúde física e moral do ser
humano.
O organismo começa a absorção de
uma pequena parcela de álcool pelo estômago e a maior parte pelo
intestino delgado. O álcool atravessa o fígado e penetra na corrente
sangüínea, alcançando o seu efeito máximo no organismo,e
principalmente no cérebro, mais ou menos uma hora após a sua
ingestão, variando de conformidade com os organismos e seus
funcionamentos. O efeito estonteante perdura por várias horas.
Os efeitos do álcool provocam
sobre o organismo, uma grande carência de vitaminas (a chamada
avitaminose), o que gera doenças como o raquitismo, que é carência
de vitamina D, a pelagra, carência de vitamina B, e beribéri,
carência de vitamina B1.
O uso do álcool, pelo ser humano,
gera muitos contra-tempos, como: acidentes de trânsito, de trabalho
e no lar; faz a pessoa alegre, galhofeira, desinibida, tornando-a
digna de escárnio pois que ela não só perde o senso do ridículo mas
também o limite de seus atos; faz do homem tímido e fraco um
valentão que, invariavelmente, costuma partir para a briga, não
obstante, em muitas ocasiões, mal se equilibra em pé; o ébrio
costuma cair ao tropeçar nas próprias pernas; torna-se
inconveniente, insensível, apaga-se e... morre para os amigos,
porque passa a ser intolerável a sua presença. Em suma, o ébrio é
digno da nossa compaixão.
O tóxico aqui tratado, malgrado
se esconda dentro de garrafas, rótulos e de embalagens sofisticadas,
envenena a criatura humana, provocando-lhe danos físicos , muitos
deles irreversíveis, além dos males morais que, na maioria dos
casos, são motivos para a desestruturação de famílias, desajustes
conjugais, desavenças com os filhos...
O álcool afeta o sistema nervoso,
provocando depressão, perda de memória, perda de senso da realidade,
neurites e morte. Os vários aparelhos orgânicos passam a sofrer os
seguintes males: o respiratório - pneumonia, angina de peito,
ou angina pectóris; o digestivo - perda do paladar, úlceras
gástricas, hemorróidas, hepatite, cirrose, barriga d'água e
irritação da mucosa pancreal; o reprodutor - impotência,
nefrite ou "Mal de Bright", gota, uricemia; o circulatório-
anemia, hipertensão, hipercolesterolemia, arteriosclerose e
dilatação dos vasos.
As conseqüências do alcoolismo
são o surgimento de problemas nas áreas familiares, sociais,
psicológicas e orgânicas, estas já vistas aqui. No lar, os membros
da família se desagregam em decorrência de situações grotescas
provocadas pelo alcoolizado. Na área social ocorre o fracasso pela
perda do convívio sadio, com reflexos, também, no âmbito
profissional. Psicologicamente é costume aparecer, e de forma
acentuada, o complexo de culpa cada vez que o alcoólatra se
embriaga. A baixa auto-estima toma proporções alarmantes,
desgastando intimamente o viciado.
O ser humano bebe porque já traz
do passado propensão ao vício de beber, e como se mostra, nesta
reencarnação, ainda fraco de caráter, desajustado socialmente, sem
possuir uma explicação lógica para a vida, busca motivos para o seu
alcoolismo em vários fatores que não correspondem à verdade, Alegam,
por exemplo, os viciados, que bebem por causa de um amor não
correspondido, por perda de emprego, pelos desajustes familiares que
enfrentam, pelos problemas financeiros com que se defrontam, pelos
momentos de angústia que se vêem obrigados a passar, etc, etc. Nós,
espíritas, sabemos que nada disso explica o alcoolismo, e sim o
desajuste do espírito reencarnado que, por ignorância com respeito
aos valores morais da vida, buscam uma saída através do alcoolismo.
Desejam esconder-se, fugir da vida e se perdem ainda mais por não
saberem usar a mente racional em vez da emocional.
O alcoolismo pode e deve ser
prevenido, bastando que se não o comece em casa, que a sociedade se
esforce por não justificá-lo com o "beber socialmente", e que se
ofereça a todos uma vivência religiosa que fale, com logicidade, ao
entendimento. Só estes fatores quando bem trabalhados, podem curar o
alcoolismo da vida terrena. O alcoólatra necessita de
esclarecimento, precisa conhecer as verdadeiras origens de sua
compulsão ao álcool, as suas limitações e saber que se pode integrar
à vida, levar uma existência feliz, ser uma pessoa alegre sem o
álcool circulando em suas veias. Sem a busca do auto-conhecimento,
sem a compreensão da vida em seu duplo aspecto - material e
espiritual -, fica muito difícil a pessoa deixar o vício. Acima de
toda iniciativa para que o alcoólatra deixe o vício, necessário
trabalhar sua vontade, o querer livrar-se do vício. A sua
participação no processo de cura é fundamental.
Como é do conhecimento espírita
que nunca estamos sós, há, junto do alcoólatra. um agravante que ele
desconhece: a presença de espíritos também viciados em álcool que o
acompanham e o incentivam no vício. Esses desencarnados estão sempre
ao lado dos "amigos de bar", daqueles que estão sempre dizendo
"vamos tomar uma?" São exatamente os mesmos que fogem, que deixam de
ser os "amigos" quando o viciado manifesta o desejo de mudar o
comportamento, optando por uma conduta sóbria.
O evangelho-terapia-espírita é o
mais eficiente medicamento para todo e qualquer mal que acomete o
ser humano, sendo que o Espiritismo é o recurso que deve ser usado
na obtenção da cura do alcoolismo porque incita fraternalmente, sem
imposição, à mudança de hábitos e a uma nova visão da vida.
(1) Apoio no livro "Tóxicos, duas viagens", de
autoria de Eurípedes Kühl, Editora Espírita Cristã Fonte Viva - Belo
Horizonte - MG
ADÉSIO ALVES MACHADO Escritor, Orador e Radialista. Autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor;
Diálogo com Deus - Preces de MEIMEI e Verdades que o tempo
não apaga, lançado recentemente. Para adquiri-los ligue:
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