ABISMO DA CONSCIÊNCIA
Senhor,
cujos olhos penetram o abismo da consciência humana, mesmo que nela esteja
oculto algo que não quer confessar. O homem pode esconder-se de si mesmo,
mas nunca poderá esconder-se de Vós, Senhor. Agora, que a carcaça da carne
ao pó retornou, nossos gemidos dão testemunho do quanto desagradamos os
Vossos olhos.
Vós, Senhor, iluminaste a Terra e os
habitantes com a luz do Vosso olhar, mandastes as Vossas leis, e o homem
preferiu o bezerro de ouro. Ainda acreditando na perfeição dos Vossos
filhos, mandastes à Terra o Vosso primogênito, o nosso amado Jesus, Mestre e
irmão da Humanidade. Mesmo assim, ainda não desejamos conhecer-Vos, Senhor,
mas Vós nos conheceis tal qual somos. Não adianta confessarmos com palavras,
com a voz da carne, os nossos erros; precisamos, Senhor, usar as palavras da
alma, com os gritos do pensamento, pois que Vossos ouvidos já tão bem
conhecem cada um dos Vossos filhos.
Também sabemos, Senhor, que como
abençoais os justos, assim, ó nosso Deus, desejamos que nos perdoeis os
erros cometidos, por não obedecermos às Vossas leis.
Aqui nos encontramos para nos dirigirmos
a esses nossos irmãos que, como nós, um dia também desrespeitaram as Vossas
leis e foram para a cadeia da carne. Pedimos que, neste momento, em que
vamos conversar com os nossos irmãos, eles sintam que lhes declaramos a
verdade.
Gostaríamos que, para cada aluno desta
Casa divina, pudéssemos provar que falamos a verdade, e que eles nos ouçam;
contudo, sabemos que aqueles a quem a caridade já abriu os ouvidos
acreditarão em nós. Mas ainda, Senhor, pedimo-Vos misericórdia para todos os
que foram chamados de Espíritos maus, que ainda desconhecem o único caminho
que nos conduz a Vós: a caridade. Alguns, que aqui se encontram, nos
conhecem, outros não; ou, então, simplesmente ouviram falar de nós ou a
nosso respeito alguma coisa, mas os seus ouvidos não nos auscultaram o
coração, no qual somos o que somos no nosso interior, para onde não podem
lançar o olhar, o ouvido ou o espírito. Querem, contudo, ouvir-nos,
dispostos a acreditar em Vós e em nós mesmos. O Espírito que não busca a
caridade está sujeito à morte, pois peregrina no mundo, sempre em busca das
coisas temporais, esquecendo que tudo o que há no plano físico a Vós
pertence. E quem já Vos foi apresentado, nosso Deus amado, não pode viver
apegado aos aplausos, à glória e às riquezas, porque o amigo Mestre, Jesus
Cristo, ensinou que quem O seguisse no caminho da vida, estes seriam os
Vossos servos, os irmãos de Jesus. A Ele, Senhor Deus, nos mandastes servir,
se quiséssemos viver em Vós e convosco. E Jesus, o Vosso Verbo, foi à frente
com obras, atapetando o chão, antes repleto de espinhos, com as rosas da
Vossa bondade.
Deus amado,que estais em nós, ainda que
não estejamos convosco, prometemos revelar a Vossa bondade àqueles a quem
nos mandais servir, mesmo que não nos acreditem, como irmãos que somos. Eles
podem até nos atirar pedras, caluniar-nos, mas somente Vós, Senhor, podeis
julgar, porque ninguém conhece o que se passa no íntimo de cada um, a não
ser o Espírito que nele reside e Vós, Deus amado.
Homens que somos, ainda não libertos das
tentações, imploramo-Vos que nos ajudeis a curar-nos da imperfeição. Para
isso, oferecemo-Vos o que temos de melhor: ir até os confins do planeta para
levar a Vossa mensagem de amor. Queremos ultrapassar a força que nos prende
ao corpo perispiritual e encher os nossos Espíritos de amor. Queremos,
Senhor, transportar esta força do amor, subindo degrau por degrau até Vós,
Deus, que nos criastes, e esquecer o dia em que nos distanciamos de Vós,
procurando novamente ouvir a Vossa voz.
Sabemos, Senhor, que não esquecemos as
dores passadas no corpo; não é de admirar, porque fomos durante muito tempo
apegados a ele. Hoje, queremos que o nosso Espírito esqueça as tristezas
passadas e busque na memória a alegria nela contida, de modo que os nossos
Espíritos se regozijem com a oportunidade que ainda nos ofereceis, através
do trabalho de levar até os encarnados os nossos conhecimentos. Permiti,
Senhor, que levemos mais além as nossas investigações, e que essas tarefas
jamais sejam perturbadas; que todos nós, aqui presentes, não venhamos a ser
transformados em adivinhos ou feiticeiros.
Ainda que narremos os acontecimentos
verídicos da passado, lembremos que vamos, até o plano físico, ensinar ao
encarnado a respeitar a vida e a não temer a morte do corpo material, que
nos foi confiada a tarefa de levar até os homens encarnados o remédio para
torná-los melhores, não para envaidecê-los.
Não é nossa tarefa predizer o futuro -
que equivale ao fenômeno de se apresentar ao Espírito as imagens das coisas
que ainda não existem. De qualquer modo, que saibamos evitar que esses fatos
tenham lugar em nossos trabalhos. Ora, o que já existe não é futuro, mas
presente, e o presente, triste ou violento, é o presente, e não é a
finalidade das tarefas espíritas prever o futuro. Os antigos profetas
prediziam os acontecimentos, mas aos espíritas foi feito o chamado, e cada
um tem de tornar-se digno desse chamado, não deixando para trás o momento
sublime de suas vidas: o de servir.
Recordamo-nos de Mateus, que contava as
suas moedas, quando o Cristo o chamou. Assim somos nós: o Cristo nos chamou
e Vós, Senhor Deus, nos esperais.
Assim seja!