A FAMA EM QUESTÃO

         Parece jamais ter havido na história da humanidade tanta corrida para a fama.

         Um momento de fama, por mínimo que seja, tornou-se o afã da maioria das pessoas. Uma foto numa revista de fofoca; uma rápida aparição na TV; qualquer comentário na mídia; bizarras presenças na Internet, ações medíocres e degradantes que, de qualquer modo, levem as pessoas a reparar alguém.

         O ser humano quer ser notado, exaltado, comentado. Quer estar nas “rodas”, aparecer e, sobretudo ganhar muito dinheiro. Notoriedade e fortuna são as coroas que o êxito impõe aos “triunfadores”. Eis o que é o essencial para a humanidade materialista de hoje.    

          O Espiritismo aponta firmemente Jesus como nosso modelo de perfeição na Terra e a sua doutrina como a rota para o nosso verdadeiro êxito a felicidade de SER um puro Espírito.

Quando diz que “Bem aventurados são os pobres de espírito”, por pobres de espírito Jesus não entende os carentes de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.

         A fama reforça o personalismo e mitifica a realidade, mostrando aparências de invencibilidade, de eterna juventude, de força inigualável, de destaque permanente.

As pessoas querem ser indestrutíveis e esquecem-se da transitoriedade da vida num corpo físico. Esquecem-se que a fama de um dia se transforma em amargura do outro e impõe uma espécie de alucinação àquele que triunfou, trazendo revolta e indignação quando desce do pódio para ceder o lugar a um outro que o irá substituir. Esquecem-se que a fama se esfumaça com facilidade, após nos embriagar, e gera terríveis condicionamentos de libertação difícil. Um herói de hoje, pode ser o vilão de amanhã e a sociedade esquece-o cruelmente...

No entanto, se elegermos o Cristo como diretriz para nossas vidas e vivermos em consonância com suas propostas libertadoras, sem fugirmos das lutas necessárias ao nosso aprimoramento espiritual, certamente nos libertaremos desses atavismos tão perniciosos ao nosso “eu”.

Quando um repórter perguntou ao Mahatma Gandhi, qual era a mensagem que tinha para a humanidade, respondeu com a simplicidade e alegria que lhe eram peculiares: “Minha vida é a minha mensagem”.

Sem fama, sem submissão aos caprichos humanos, se tornou famoso. Entretanto, permaneceu simples e bom, discreto e corajoso sempre.

Que seja a nossa fama a que se origina silenciosamente da alegria de servir ao bem!
 

Artigo gentilmente cedido por
ANA DULCE PAMPLONA FRADE MADEIRA
Oradora, articulista e dirigente espírita.
Centro Espírita Bezerra de Menezes - Arcos - MG

Formatação: Damião da Silva Leão