Sim, as mulheres são gente! Têm medo,
alegria, dor, sentem...
Amam, desgostam ,perdem, ganham... são
gente!
Sim, não a escravidão!
Sim a liberdade e a vida!
Por uma sociedade mais justa lutou Dionísia
Gonçalves Pinto, que anos mais tarde tornar-se-ia conhecida como: Nísia
Floresta Brasileira Augusta, talentosa escritora, poetisa, educadora...
mulher.
Nascida em Papari, Rio Grande do Norte em
12 de Outubro de 1810.
Como muitas meninas daquela época casou-se
nova, aos 13 anos, contudo, aos 14 separou-se.
Após alguns anos apaixonou-se por Manuel
Augusto de Ferreira Rocha, um estudante de Direito, e foi com ele viver.
Tiveram dois filhos, eram felizes, contudo, repentinamente, Manuel
desencarna deixando Nísia com duas crianças para criar.
No entanto, precisava prosseguir. Rompeu
paradigmas e naquela distante e preconceituosa época publicou seus escritos
na grande imprensa.
Nísia combateu a escravidão, lutou pelo
direito das mulheres, foi voluntária por meses em um hospital onde cuidava
de pessoas que tiveram febre amarela, fundou uma instituição de ensino
homenageando seu grande amor e batizou com o nome: Colégio Augusto.
Publicou livros e artigos em vários
idiomas, fez história pelo mundo mostrando a todos seus dotes de cultura e
de nobreza moral.
Com sua postura de valentia frente aos
desafios provocou ira em muitos, porém, admiração em tantos outros.
Morou muitos anos na Europa onde gozou da
amizade de grandes figuras como: Auguste Comte e Victor Hugo, sendo
inclusive uma das quatro mulheres que acompanhou o cortejo fúnebre de
Auguste Comte ao Père Lachaise por conta do falecimento do pai do
positivismo.
Almas como Nísia vem a esse mundo para
iluminar caminhos.
E sua vida nos convida a reflexão sobre o
poder e a autoridade:
Poder e autoridade são duas coisas
distintas.
Exercer o poder significa fazer valer suas
vontades a qualquer preço, muitas vezes coagindo, humilhando, impondo...
Os homens daquela época tinham o poder sob
sua guante, ditavam regras e comandavam com mão de ferro a maneira que as
mulheres deveriam se comportar; consideravam-nas seres inferiores, com pouca
capacidade. Eram imposições de todas as formas. O homem considerava-se o
único ser pensante da criação, idéia esta que apenas uma mentalidade
intoxicada pelo poder poderia conceber.
Ah, esses homens!
Já a autoridade é bem diferente. Para
exercer a autoridade precisa-se ter capacidade, saber lidar com gente, saber
ouvir, compreender, dialogar...
A autoridade é uma conquista do Espírito
que ao longo de suas reencarnações vai aprimorando suas faculdades morais e
intelectuais de maneira que acaba por exercer influência sobre aqueles que o
rodeiam.
Nísia não tinha o poder, porém, tinha
autoridade.
O poder obriga, a autoridade arrasta.
O poder causa insatisfação, a autoridade
admiração.
Em “O Livro dos Espíritos” (Editora EME),
Cap VI - Vida espírita - na questão de nº 274 e 274 a, encontramos
importantes considerações sobre o assunto referente a autoridade. Vejamos
então o questionamento de Kardec aos Espíritos amigos que lhe assistiam a
época da codificação:
P - 274. Da existência de diferentes
ordens de Espíritos, resulta para estes alguma hierarquia de poderes? Há
entre eles subordinação e autoridade?
R - "Muito grande. Os Espíritos têm uns
sobre os outros a autoridade correspondente ao grau de superioridade que
hajam alcançado, autoridade que eles exercem por um ascendente moral
irresistível."
P - a) - Podem os Espíritos inferiores
subtrair-se à autoridade dos que lhes são superiores?
R - "Eu disse: irresistível."
Belíssima resposta!
Como vemos, a autoridade que provém de
alguém que possui uma estatura moral e espiritual maior que a nossa é
irresistível.
Não há argumentos diante de uma postura
integra, honesta, sincera.
O aluno se cala ante os argumentos concisos
e superiores provindos da autoridade de seu professor.
O filho respeita a palavra provinda dos
pais com autoridade moral.
Os amigos admiram e seguem as atitudes
daqueles que exalam a autoridade baseada nos exemplos de amor ao próximo.
Assim era Nísia, sincera, integra,
valorosa, mesmo perseguida pela intransigência, seguiu em frente levando
sua mensagem de alento e conforto à muitos corações sufocados pelo medo e
desesperança. O argumento usado por seus detratores de que era ela mulher
profana não foi suficiente para abalar sua reputação ,porquanto, Nísia tinha
autoridade moral sedimentada pela legitimidade de seus exemplos.
A autoridade é uma conquista do Espírito,
e conquistas jamais se perdem. Onde quer que fosse, Nísia Floresta
Brasileira Augusta, teria autoridade, exerceria influência de alma nobre
que era.
Já o poder podemos perder porque ele é
efêmero, transitório. Posso ocupar hoje por exemplo, um cargo político, ter
o poder em minhas mãos, ditar regras e obrigar pessoas a fazer o que não
querem , contudo, amanhã a vontade do povo poderá me destituir.
As imposições geram olhares desconfiados,
pessoas amedrontadas, inibidas...
Revoltas não raro começam motivadas pelo
cansaço que as pessoas estão da imposição do poder.
O poder pode ser comprado, negociado. A
autoridade não!
Reflitamos pois, no que ofertamos àqueles
que caminham conosco.
Que a vida de Nísia e a resposta dos
Espíritos amigos nos inspirem a buscar a autoridade em vez do poder, o amor
em vez do ódio, a libertação em vez da imposição.
Pensemos nisso!